É apenas rock ‘n’ roll, mas eu gosto
Embora tenha perdido espaço como voz dissonante que questiona o status quo para outros gêneros, o rock e suas vertentes continuam sendo o ritmo predileto das marcas que buscam evocar a conexão emocional com os consumidores



Quando a Kiss FM mudou a frequência de 102,1 MHz para 92,5 MHz, em fevereiro, a queda de audiência não chegou a 10%. Segundo a emissora, isso é algo que evidencia a fidelidade dos ouvintes que, além de serem amantes do rock clássico, buscam conteúdo e notícias. Para a diretora-geral Tais Abreu, diferentemente do público de rádios que tocam outros gêneros, os ouvintes de rock sintonizam a estação para ouvir a programação e não somente uma música. E é justamente este tipo de público — no caso da rádio, 75% é da classe AB — que atrai anunciantes como Dell, Itaú e Samsung. “Isso faz com que o rock seja um produto extremamente segmentado. É isso que as marcas procuram. Uma marca que anuncia na Kiss fica meses e anos, pois forma um consumidor”, afirma Juarez Macedo Júnior, diretor comercial da Kiss. A adaptação das rádios às plataformas digitais e a diversificação de conteúdo na grade faz com que as pessoas ainda continuem buscando as rádios para ouvir música, mesmo com a ascensão dos streamings. O Spotify, aliás, anunciou na Kiss uma ação que fez para o Rock in Rio. E a rádio, por sua vez, tem um perfil oficial na plataforma com playlists. Para Guilherme Freire, executivo comercial da Kiss, o rádio ainda desempenha um papel de companheiro. “Chega uma hora que a playlist não satisfaz mais. E a rádio toca uma música que a pessoa queria ouvir naquela hora, mas não sabia. E tem a voz do locutor, entrevistas, notícias sobre o que está acontecendo”, diz. A comunicação da Kiss FM é feita pela AlmapBBDO há cinco anos. Em abril, a agência criou a campanha “Vida longa ao rock. Fique em casa”, que trouxe pôsteres com astros do rock como Patti Smith, Keith Richards e Paul McCartney — todos na faixa etária mais vulnerável à Covid-19. Agência e emissora já conquistaram alguns Leões em Cannes, como o de Prata por “The Book of Rock”, em 2017.


Ícone da internacionalização da cultura coreana, o K-pop faz sucesso e também conquistou o Ocidente. Artistas se tornaram influenciadores, gerando altos índices de engajamento dos fãs, o que tem atraído cada vez mais marcas para este universo.