Da periferia para o mainstream
Em três décadas, o funk se transformou de um gênero musical marginalizado por públicos e marcas em uma indústria que movimenta milhões, com grande presença em todas as plataformas de mídia e com participação recorrente no line-up de festivais internacionais

No início da segunda década dos anos 2000, uma das vertentes do funk, o ostentação, ficou famosa por mencionar marcas em suas letras. Popular principalmente em São Paulo, o ritmo se inspira em rappers americanos e se vangloria de carros importados, joias, roupas de grife, produtos de luxo e mulheres. Muitas das letras citam nomes de marcas, como é o caso de Plaquê de 100, sucesso de MC Guimê que fala de produtos de Citroën, Kawasaki e Suzuki. Muitas vezes, as marcas não aceitavam serem citadas. Konrad Dantas, fundador da KondZilla, lembra que Johnnie Walker pediu para derrubar um clipe. “Elas não queriam suas marcas associadas ao público C e D. Após o funk virar um ‘fenômeno’ na música com streaming e visualizações altíssimas, muitas das vezes passando artistas do pop, rap, samba, rock e alguns dos sertanejos, marcas e mídia deram atenção”, analisa Afonso Marcondes, head of music da Sync Originals e fundador da escola de negócios Musicness.




Estreou no funk em 2012 como MC Beyoncé. Em 2014, assinou com a Warner Music e iniciou nova fase da carreira como Ludmilla. Indicada ao Grammy Latino de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa pelo disco A Danada Sou Eu (2016), a artista fala sobre o papel social do funk e o desafio de tornar o ritmo mais igualitário.
Mauricio Souza, diretor de A&R gospel da Sony Music Brasil, e Leonardo Gonçalves, cantor de música cristã contemporânea, analisam o crescimento da temática e ausência de marcas.